Uma vez na vida, outra no velório
07-06-2009 22:25UMA VEZ NA VIDA, OUTRA NO VELÓRIO...
Recentemente, ao ser visitado por meus pais, fomos fazer compras para um lanche da tarde. Chegando ao setor de laticínios, vi um sache do “autêntico catupiry”, um requeijão “metido a besta” e bastante caro, e fiz o inocente comentário de que havia muito tempo não comia um daqueles. Meu pai apressou-se em pegá-lo. Ao chegar em casa minhas filhas apreciaram a novidade, conhecida há muito por nome, e pediram para comprar sempre do mesmo, ao que respondi: Não acostumem não. Esse tipo de extravagância acontece uma vez na vida, outra na morte! Demos risadas, oramos e nos alimentamos. Elas, sempre que queriam se referir ao tal requeijão, diziam: Tem daquele caro?
Passadas poucas semanas, fui surpreendido com uma promoção do mesmo requeijão, e não pude resistir ao impulso de fazer uma surpresa em casa, visto que todos haviam gostado muito. Lanche posto à mesa, pães diversos, sentamo-nos para orar, quando minha filha mais nova pergunta: Papai, nós vamos morrer? A princípio fiquei sem reação! Não havia entendido a pergunta, mas ela explicou-nos que fazia referência ao requeijão que já havia sido comido uma vez na vida e, agora, deveria ser a hora de comê-lo pela segunda vez, portanto, “na vez da morte...”. Depois percebi que ela havia me pregado uma peça, pois fizera a pergunta em tom de brincadeira, a qual, depois de entendida, nos levou a novos risos juntos.
A morte é assim: sempre nos surpreende! Nesta última semana fomos surpreendidos pela notícia da queda de um avião da AirFrance em alto mar, com pessoas que nunca imaginariam que aquele seria seu último dia de vida. Entre os passageiros havia recém-casados em lua de mel; curiosos por conhecer a cidade luz, Paris; festeiros; aniversariantes; empresários; políticos; trabalhadores; tripulação; e até um príncipe, herdeiro brasileiro ao trono de D. Pedro I, etc. Todos, num rápido e imprevisível momento, despediram-se de seus sonhos, certezas e oportunidades. Quais sentimentos e convicções levaram consigo para o fundo do oceano só a eternidade revelará. Num piscar de olhos, olhos que nunca mais se abrirão neste mundo, perderam definitivamente suas capacidades de fazer novas escolhas, ou escolhas diferentes.
Uma antiga música secular tinha como jargão: O que você faria se só lhe restasse este dia?
Esta é uma pergunta sempre atual, mas talvez alguns não consigam respondê-la a tempo, pois a nossa vida é como uma erva do campo, que nasce, cresce, seca e passa, rapidamente, levada pelo vento; tão rápida quanto os pensamentos e sonhos que se desfizeram em segundos naquele avião.
Contudo, Deus está usando de paciência para conosco, porque não quer que ninguém se perca, as que todos venham a converter-se [2 Pe 3.8-9]. Sua ação é expectante. E isto ainda vale para o dia de hoje, mesmo que tivéssemos conhecido alguém que morrera sem Cristo. Ainda hoje, Deus espera que todos, os que ainda têm chance, venham a converter-se para Sua glória, e nós somos os encarregados de proclamar este desejo de Deus.
Qual será a nossa escolha frente a tudo isso? Anunciaremos a glória de Deus a todo o mundo, já, urgentemente, ou ainda vamos ficar com nossos métodos tacanhos tentando falar de Cristo para o nosso vizinho, uma vez na vida, e outra no velório, para o restante da família... isso se formos convidados.
Que Deus nos dê ousadia para a proclamação da Sua Palavra em todo o tempo. Pode ser hoje.
Pr. Josimar
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