TUDO SE FAZ NOVO
26-05-2009 10:58TUDO SE FAZ NOVO
João 2.1-11
pregado em 01.03.09 - Noite
Milagres! Queremos milagres. Porém milagres não são nada sem o significado que trazem em si. Assim, João sempre se refere aos milagres de Jesus como “sinais”, palavra que ressalta mais a importância da ação que o elemento sobrenatural, [pois]... revelavam a glória de Jesus [v11]. (comentário da NVI de Estudos, p 1789)
O texto que lemos traz um milagre conhecido por sua “natureza profana”. Não é realizado para caracterizar um benefício espiritual, mas para evitar um constrangimento social. Não sabemos se Natanael foi o responsável por estarem ali, pois ele era de Caná, da Galiléia [Jo 21.2] Mas sabemos que nesse casamento há o que parece uma conversa entre loucos, quando um diz uma coisa e o outro responde algo totalmente diferente, e o primeiro, indiferente ao que foi dito, faz o que “dá na cabeça”... Porém, vejo uma aplicação bastante pessoal deste texto: Podemos entregar a Jesus os nossos problemas mais cotidianos.
O texto deve ser entendido à luz do contexto geral, que vai de 2.1 à 4.54, em que as bases da religiosidade judaica estão sendo questionadas e que, afinal, em Cristo, “tudo se fez novo”... – 2 Co 5.17
Vamos ao texto. No terceiro dia, ou seja, dois dias depois de encontrarem-se com Natanael, Jesus, sua mãe e seus discípulos são convidados a participarem de um casamento (v 2).
(v 3) Fato é que o vinho acabou, e a mãe de Jesus o informa sobre o fato.
(v 4) Jesus, porém, parece repreendê-la. Ao usar o termo traduzido por “mulher”, Jesus não está sendo desrespeitoso com sua mãe, mas rompendo um laço de dependência. Ele usaria este mesmo termo para referir-se a ela no momento da crucificação [Jo 19.26 – gynai]. Contudo, não há palavra em português para traduzir corretamente essa expressão, que pode ser melhor interpretada por “cara senhora” ou “madame”. (F.F. Bruce em João, Introdução e Comentário, p 70). A sequência da conversa pode ser traduzida por “que tenho eu contigo?” ou “que tens tu comigo?” – literalmente “que há entre mim e ti?, mas fora de contexto -. Parece que o pedido de Maria não combinava com a vocação messiânica de Jesus.
(v 5) Mas Maria sabia que, depois de confiado o pedido a Jesus, o restante deveria ser deixado em Suas mãos. Ela não sabia o que ele faria, mas sabia que faria a coisa certa (Bruce, p 70). Carson diz que em 2.3 Maria aborda Jesus como sua mãe, e é repreendida, mas em 2.5 Maria responde como crente, e sua fé é honrada. Ela ainda não sabia o que Ele faria, mas ela entrega o problema a Ele e confia. (D.A. Carson, em O Comentário de João, p 173)
(vv 6-8) Havia ali seis potes de pedra. Os potes de pedra, cheios de água, serviam para a purificação exterior. Jesus ordena que sejam cheios de água até a borda. Transformada a água em vinho - que não serve para lavar, mas para beber - podemos supor um simbolismo entre o pacto antigo, da lei, que purificava apenas o exterior – cerimonial -; e o novo pacto, da graça, que transforma a partir do interior do ser humano, fato este que recebe ênfase e apoio nos versículos seguintes.
(vv 9,10) Então, vem a constatação. O vinho servido depois é melhor do que o primeiro, diz o responsável. Em outras palavras, o Evangelho da graça é melhor que o rigor da lei, pois obedecer por amor é melhor do que obedecer por medo. Este sinal funciona como uma parábola, quando coisas do cotidiano apontam para verdades celestiais.
(v 11) Com este primeiro sinal, Jesus iniciou – não completou - a revelação da Sua glória, como do Unigênito do Pai [1.14]. Mas o que chama mais a atenção é que a glória não foi visível a todos que participaram daquele sinal. Alguns estavam preocupados com seus afazeres (os serviçais que viram e o responsável pela festa, que não viu), e outros muitos estavam apenas embriagados, e não tinham condições sequer de diferenciar a qualidade do novo vinho... Fato é que os verdadeiros discípulos viram e creram. Só eles compreenderam o valor deste sinal de Cristo.
Jesus é o sinal de Deus para o mundo e está oferecendo uma nova razão para nossas vidas hoje. Ele quer transformar nossas vidas e fazê-las novas, sem as amarras da lei e dos pecados passados. Estamos ocupados ou embriagados demais para que não possamos enxergar a glória de Cristo?
Quero encerrar esta pregação com uma crônica. Sei que não é didático; mas o que há de didático quando é o Espírito Santo quem trabalha?
UM FURO FURADO!
(de Alexandre Azevedo, em O vendedor de queijos e outras crônicas, Editora Atual, 1998, pp 43,44)
- E então, conseguiu ver alguma coisa?
- Assim, assim...
- Como assim? Viu ou não viu?
- Bem, na verdade, ver mesmo, eu não vi. Mas perguntei prum sujeito que estava do meu lado.
- Ah, bom! E como é que foi? Que é que ele disse?
Nada. Ele nem sabia do que eu estava falando.
- E agora? Como é que fica? Que é que vamos fazer?
- Calma, calma! Eu não sou bobo, rapaz! Perguntei pra outro sujeito.
- Beleza! Realmente de bobo você não tem nada, hein? E aí?
- O cara tinha chegado àquela hora também. E nada!
- Nada?!
- Nadinha de nada!
- Tinha muita gente?
- Ih, rapaz! Tava assim, ó! Era gente saindo pelo ladrão!
E não perguntou pra mais ninguém?
- Claro!
- E então?
- Rapaz, você me conhece, né? Quando saio pra trabalhar, eu vou até o fim! É o meu dever ou não é?
- É! É! E daí?
Daí, eu saí na batalha, você entende?
- Entendo, entendo! Não enrola, rapaz!
- Ta bem, ta bem. Como tinha gente pra burro, eu saí perguntando de boca em boca, tipo detetive!
Conseguiu a informação?
- Assim, assim...
- Caramba! Como assim?! Conseguiu ou não conseguiu?
- Bem, conseguir mesmo, eu não consegui, mas...
- Ai, meu Deus!
- Calma, calma!
- Como, calma?! Você saiu pruma missão importante e me volta de mãos abanando?
- Mas consegui algo importantíssimo que eu não sabia!
- O quê? O quê?
- Descobri que tava no lugar errado!
Pr. Josimar
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