O pior, com Deus

17-08-2009 11:44
O PIOR, COM DEUS

Recentemente conversava com um senhor enquanto fazia alguns exercícios físicos em um clube de nossa cidade. Eu o ouvia falar sobre a sua indignação com a igreja. Dizia ele que não vai mais à igreja (evidentemente referindo-se às reuniões dominicais) porque há muita gente dissimulada e má que também vai, e que se diz cristão. Citou-me um exemplo de um dono de supermercado, pastor, que sequer oferecia um copo de café acompanhado de um pãozinho durante o momento de descanso de seus empregados.
Quis protestar imediatamente, mas calei-me. Calei-me porque já entrei em discussões como esta inúmeras vezes, e nunca consegui adentrar um coração petrificado e incrustado em preconceitos.
Porém, chegando em casa, e refletindo mais um pouco sobre o assunto, comecei a perceber como a igreja está cheia de pessoas assim como descrevera aquele senhor. Lembrei-me de um irmão que ficou muito conhecido entre nós por sua agressividade verbal e física, e por não conseguir segurar seu ímpeto reativo quando lhe pisavam “no calo”. Certa vez este irmão chegou a agredir uma pessoa que não concordava com sua posição e, partindo para cima dela, literalmente arrancou-lhe parte da orelha. Um testemunho lamentável. Um segundo irmão me veio à mente, e este marcou a minha pelo que ele mesmo chamava de firmeza de posição, mas que não passava de teimosia. Antes de se converter, cria que os crentes eram todos dignos de pena, e que não deveriam existir neste mundo. Fazia com que todos que estivessem ao seu redor os odiassem, e não media esforços para atrapalhar suas ações de proclamação do Evangelho. Quando, finalmente, sua teimosia foi quebrada pela mão de Cristo, sua presença dentro da comunidade cristã causou muitíssima desconfiança e até certo escândalo entre crentes e não crentes, cada um com seus argumentos óbvios. Um terceiro caso me veio à mente, e refere-se a um irmão que foi apanhado em adultério e teve seu caso exposto à toda a comunidade. Não bastando isso, este mesmo casou-se com aquela mulher com quem adulterara, e a levou para sua própria casa e para o convívio com sua família. Uma situação extremamente desgastante e lamentável. Mas o último caso que quero citar, dentre muitos outros que me vêm à mente, é o mais grave de todos. Quando cheguei em nossa igreja, há dois anos, deparei-me com um irmão que matou um homem, permitindo-o agonizar à sua frente sem sequer estender a mão para socorrê-lo ou minimizar sua dor. Ele deixou que tudo ocorresse sob seu olhar atento. Não tendo coragem de enfrentar as conseqüências de seus atos passou algum tempo fugindo mas, agora, está conosco liderando a igreja de Cristo, ainda sem pagar pela gravidade de seus atos. Este sim é um verdadeiro escândalo!
A igreja está cheia de maus exemplos. Devo admitir.
Contudo, quero apontar ainda e mesmo assim para a graça de Deus, pois cada um destes homens foi transformado por que e quando se encontraram com a salvação de Cristo, mesmo em meio às suas debilidades e deficiências. Quando ainda estávamos mortos em transgressões, Cristo nos libertou e nos deu vida. É pela graça de Cristo que somos salvos (Ef 2.4,5) e podemos ter uma vida transformada. Isso foi o que ocorreu com todos estes irmãos citados acima, cada um a seu tempo. O primeiro caso que citei é do nosso irmão e apóstolo Pedro, o segundo do grande missionário Paulo, o terceiro do profético rei Davi. Todos alcançaram em Deus um bom testemunho ao final de suas vidas, desde quando deixaram a graça permear totalmente seus passos.
O quarto caso citado é o meu. Eu sou o assassino. Certo dia tive consciência disso. Eu matei a Jesus Cristo, e não tive coragem de enfrentar os meus pecados que eram muito maiores do que a minha própria vida poderia quitar. Por isso fugi. Mas fui encontrado pela graça de Cristo, resgatado pelo sangue que eu mesmo derramara, e trazido para a sua igreja, aceitando o privilégio de ser um de seus ministros, para a honra e a glória de Deus, aceitando que o próprio Cristo pagasse a pena em meu lugar.
Eu deveria ser o pior testemunho para a vida daquele senhor que conversara comigo, e não me sinto melhor do que aquele pastor dono de supermercados que o escandaliza tanto. Porém, me sinto em transformação pela graça de Deus, a cada dia, deixando a forma deste mundo, ganhando a mente de Cristo, e experimentando a Sua boa, agradável e perfeita vontade (Rm 12.1,2).
Eu deveria ser o pior testemunho, e a prova de que Deus transforma maus testemunhos para apontar para a Sua graça. Não vejo a hora de me reencontrar com aquele senhor...
Pr. Josimar
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