NÃO IMPORTA A EXPERIÊNCIA: IMPORTA EXPERIMENTAR
26-05-2009 10:53NÃO IMPORTA A EXPERIÊNCIA: IMPORTA EXPERIMENTAR
João 1.35 – 51
pregado em 22.02.09 - Noite
Certa vez estava conversei com uma amiga sobre um pretendente desconhecido. No final da conversa, depois de muitos conselhos, descobri que era eu o pretendente... É muito ruim quando não sabemos de quem estamos falando. Mas quando sabemos, podemos apontar para a pessoa certa. Com Jesus é assim: apontamos para Ele; fazemos discípulos para Ele; somos cooperadores em Sua obra e, verdade seja dita, discípulos “empolgados” trazem outros para Jesus. E o número de discípulos vai aumentando à medida que as boas novas são compartilhadas.
Esse é o fluxo do texto que lemos. Há quatro experiências distintas (seriam cinco, mas um dos discípulos de João não é identificado) de pessoas que se aproximam de Jesus, com histórias de vida também distintas. Porém, todos eles o encontram, e seguem. (seguir aqui está no tempo aoristo – continuidade de ação - , e indica torna-se discípulo).
A primeira experiência é a de André. Ele era discípulo de João Batista, e que aprendeu com seu mestre que deveria esperar a iminente chegada do Cristo. Quando João aponta decisivamente para Jesus, André não hesita em deixá-lo e seguir a Cristo. Não era uma traição a João, mas demonstrava o perfeito entendimento de sua mensagem. André sabia que Jesus era o Rabi – lit. meu grande -, o mestre esperado [v 38b] e reconhece sua distinção quando expressa a seu irmão: “achamos o Messias” [v 41b]. André ouve, vê, e segue.
A segunda experiência é de Simão Pedro, o primeiro que André encontrou [v 41] e falou sobre o Salvador. Simão é alvo do melhor método de evangelismo que existe: o testemunho pessoal - de irmão para irmão ou de amigo para amigo. André faz questão de levá-lo a Jesus [v 42a]. Simão tornou-se o apóstolo mais incisivo de Cristo e um dos sustentáculos da Igreja nascente, e André poderia se “orgulhar” de ter participado de seu encontro com o Messias. “Ninguém pode prever, ao levar um homem ou uma mulher a Jesus, o que ele fará desta pessoa” (F.F. Bruce em João, Introdução e Comentário, p 62). Simão ouve através de André, não vê, mas quando vê, segue.
A terceira experiência foi a de Filipe. Jesus o chama diretamente e diz: Siga-me! [v 43]. Filipe não discute, não duvida, não questiona. Enxerga imediatamente em Cristo o cumprimento das Escrituras [v 45]. Filipe vê, crê, e segue.
A quarta experiência é a de Natanael (provavelmente Bartolomeu). Natanael é encontrado por Filipe; porém, duvida sobre ser Jesus o Cristo, questionando se poderia vir alguma coisa boa de Nazaré [v 46]. Mas Filipe insiste com ele e, quando Natanael se encontra com Cristo, a verdade que surge deste encontro o faz expressar algo que nenhum dos outros havia dito: “Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel” [v 49]. Natanael reluta, mas depois que vê, crê, e segue.
Interessante notar que Jesus elogia o zelo de Natanael em verificar seus conhecimentos sobre tudo o que havia ouvido sobre o Cristo. Naquela época surgiam muitos falsos cristos. Jesus chama Natanael de “verdadeiro israelita, em quem não há falsidade” [v 47], talvez porque Israel possa ser traduzido por “o homem que vê Deus” (‘ish-ro’eh-‘el).
Não importam que tipo de experiências o trouxeram a Jesus. Se você foi trazido a Cristo por um ensino correto; se você foi trazido por um outro que já teve uma experiência com Jesus; se você está ouvindo pela primeira vez e reconhece que Jesus é tudo o que você precisa para que as promessas de Deus se cumpram em sua vida; ou se você já duvidou mas agora consegue ver a Jesus; não importa. O que importa é que o encontro com Cristo é sempre libertador.
Pois o que Jesus promete serve para todos que o seguirem, indistintamente. A motivação maior para tornar-se discípulo de Jesus é aceitá-Lo como Aquele que pode restaurar nossa paz com Deus [v 51], ou seja, aceitá-Lo como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo [vv 36; conf. 29]. A cruz de Cristo é a escada que nos liga aos céus.
O próprio Cristo nos confronta ainda hoje: O que vocês querem?
“A pesquisa honesta é uma cura maravilhosa para o preconceito” (apud Bruce em O Comentário de João, p 160, de D. A. Carson). Só há atitude que inicia este caminho como um seguidor de Jesus: Vem e Vê [vv 39;46].
Pr. Josimar
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